MENUTrienal de Arquitectura de Lisboa

Saiba que premiados do Arquitecturas 2017 vão andar a viajar

Passada a 5ª edição do Arquitecturas Film Festival (que aconteceu entre 11 e 15 de Outubro de 2017), que se regia sob o tema “Let's Get Physical”, numa co-organização entre a Do You Mean Architecture e a Trienal de Lisboa, chega agora a vez dos premiados se porem a caminho de outros destinos. Já confirmadas estão passagens pelo Archicine no Rio de Janeiro (Brasil), que decorre de 22 a 26 de Novembro, e pela Universidade de Arquitectura de Florença (Itália) no âmbito do Media Arq, dias 27 e 28 de Novembro.

Mas Évora, Madeira e Açores, também serão alguns dos locais por onde vai passar a selecção de cinco filmes premiados. Ainda em fase inicial de desenvolvimento, a Trienal está aberta a receber convites/propostas de Teatros, Cinemas, Centro de Artes, Universidades, entre outros. O Circuito Itinerante deste Festival de Cinema visa dar a conhecer estas obras cinematográficas a novos públicos numa óptica de descentralização da cultura.

Para as diferentes categorias, anunciamos os cinco filmes vencedores e uma menção honrosa, que irão ser apresentados em várias cidades, portuguesas e não só, através do Circuito Itinerante: 


   

Competição Experimentalismos
“Il Grande Cretto Di Gibellina”, 14’ de Petra Noordkamp, Países Baixos, 2017

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Há casos em que os cidadãos moldam a cidade e há casos em que a cidade não se deixa moldar pelos cidadãos. Em “Il Grande Creto di Gibellina”, é-nos mostrada a cidade antiga de Gibellina (no centro da Sicília, Itália, na província de Trapani). Tendo sido destruída por um terramoto em Janeiro de 1968, os seus cidadãos e pessoas ilustres, decidiram que queriam reconstruir a cidade como land art e memorial. E assim foi. A nova cidade de Gibelina foi reconstruída a 11 km da cidade original mas este documentário centra-se no trabalho que o artista italiano Alberto Burri (1915-1995) desenvolveu enquanto responsável pela concepção de como é que essa memória do acontecimento deveria ser preservada e, como é que a cidade deveria parecer. O design é inesperado e comovente.



Competição Internacional
“Square Vs. Circle”, 28’ de Kristina Leidenfrostova, Eslováquia, 2016

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Na Eslováquia, em “Square Vs. Circle”, encontramos Ivan Matušík (b.1930), um arquitecto que teve um papel significativo nos anos 1960 com edifícios onde a estética comunista está bem presente mas que desde o fim do regime comunista na Checoslováquia, em 1989, e depois da separação entre a República Eslava de Leste e a República Checa, em 1993, estão em risco de não serem preservados. Deve o trabalho dos arquitectos que trabalharam durante este período ser preservado ou deve o país destruir o seu passado para poder renovar-se?



Competição Novos Talentos
“Today” 4’ de Marcel Ijzerman, Países Baixos, 2016


Ao som de sete conversas gravadas na Province House of North Brabant (NL), vemos em “Today” o motor do edifício icónico que torna possível a sua manutenção. O desenho original de Hugh Maaskant (1907-1977) foi recentemente renovado pela KAAN Architecten, harmonizando o antigo e o moderno. Ao espectador é apenas permitido, passivamente, testemunhar a monumentalidade do edifício.



Prémio Audiência
“Tudo é Projecto”, 73’ de Joana Mendes da Rocha e Patrícia Rubano, Brasil, 2017

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“Arquitetura é um desejo humano”. Quem pronuncia estas palavras é o arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (n.1925), cujo trabalho foi desenvolvido maioritariamente no Brasil, em particular, em São Paulo. Recebeu o Prémio Mies van der Rohe (2000), o Prémio Pritzker (2006) e no ano passado, foi-lhe atribuído o Leão de Ouro por Enaltecimento de Carreira na Bienal de Veneza. É o maior nome vivo da arquitectura brasileira e este documentário é acerca da sua vida e obra. A personagem principal é Mendes da Rocha, ele mesmo, que através das suas palavras conta a sua história de vida, enquanto entrevistado pela sua filha. O arquitecto mostra uma disponibilidade genuína para reflectir sobre a prática da arquitectura e para avaliar o papel do arquitecto na sociedade, ao ponto de, por vezes, dar um papel secundário ao seu trabalho. Aos 88 anos, partilha as suas ideias sobre urbanismo, natureza, humanidade, arte e técnica sempre em diálogo com a sua filha, criando um mise en scène que é lúdica, íntima e biográfica.



Menção Honrosa
“Brasília – Life After Design”, 88’ de Bart Simpson, Canadá/ Brasil/ Reino Unido, 2017

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Uma compreensão do que está em jogo em Brasília. Tendo sido fundada em 1960, para que o Brasil tivesse uma nova capital mais central, o arquitecto principal, Oscar Niemeyer (1907-2012), e urbanista Lúcio Costa (1902-1998), tiveram o privilégio de realizar o sonho modernista e construir do zero uma cidade inteira. Sessenta anos depois, até que ponto é que a estratégia de Brasília (o seu plano geral) foi bem sucedido e que tácticas é que os seus habitantes criaram, de forma a poder continuar a viver em Brasília?


O Arquitecturas Film Festival tem direcção artística de Sofia Mourato, e apresenta filmes documentais e experimentais sobre arquitectura. A edição de 2017 propôs uma reflexão em torno de “O que é ser um arquitecto?”, destacando quatro grandes personalidades: Rem Koolhaas, Álvaro Siza, Jane Jacobs e Bjarke Ingels. Com sessões entre o Fórum Lisboa e o Cinema City Alvalade, apresentou 20 filmes em competição incluindo duas estreia mundiais.