MENUTrienal de Arquitectura de Lisboa
Data
26 OUT 2017
Horário
19:00
Local
CCB - Pequeno Auditório
Preço
5€
Onde comprar
Ciclo
2017-2019
Participantes
Leopold Lambert, Lucia Tahan, Bika Rebek, Fakt Office, Ethel Baraona Pohl
Co-Produção
CCB
Informação adicional

Lucia Tahan, Return to Zion Series — upcoming Sumo Book

Future Architecture Platform

Para esta Distância Crítica, convidámos quatro arquitectos, profissionais, e pensadores (Lucia Tahan, Fakt Office, Bika Rebek e Léopold Lambert) cuja obra vai além do espectro do objecto construído e que trabalham em diferentes campos, criando outras narrativas para a prática arquitectural, de forma a construir contra-imaginários necessários na limitada agenda do presente e usá-los para provocar possíveis futuros distintos.

“Não tenho medo de entender mal o futuro, como quase invariavelmente o farei. Estou realmente determinado a explorar o nosso muito misterioso e desconhecido momento presente.” William Gibson

Vivemos na era da paranóia dos dados – “too much world”, nas palavras de Hito Steyerl. Bots do Twitter, factos alternativos, blockchains, inteligência artificial, fake news, hacking de ADN, leaks falsos. O que antes reconhecíamos como “o real” transformou-se num conjunto de realidades confusas, criadas através de personalidades digitais, avatares e perfis de redes sociais, gerando paisagens de incerteza onde podemos dizer que as categorias de Lacan se sobrepõem: o imaginário, o simbólico e o real criam uma base comum na qual a arquitectura tem de desempenhar o seu papel. É inegável que este fluxo de dados afecta a forma como as cidades evoluem, afectando o nosso contexto social, o sistema político, a forma como nos movemos, consumimos, sonhamos e vivemos.

Neste contexto, cada vez mais a arquitectura se torna uma disciplina mediada, desdobrando-se em muitas formas distintas de produção e circulação — dos edifícios aos projectos de investigação, exposições, livros e outros media — onde as ferramentas e interfaces de comunicação podem ser instrumentos poderosos que provocam uma viragem significativa na forma como teoria e prática estão interligadas, enquanto simultaneamente podem apresentar uma visão confusa do contexto social e político em que precisamos de agir. Imersos neste grupo colossal de camadas, é fácil perder a distância crítica que é normalmente necessária para antever para onde caminhamos como prática. No entanto, a “distância crítica” não se refere a distância física; refere-se ao tempo e espaço necessários para reflectir, discutir e confrontar o status quo, para ver as coisas sob perspectivas diferentes, de forma a criar novos entendimentos do papel do arquitecto de hoje.

Manter uma distância crítica da nossa prática pode trazer enormes consequências para o futuro da arquitectura, se ele existir. Ou, pelo menos, para explorar de muitas formas distintas e activas o nosso “misterioso e desconhecido momento presente”.
Ethel Baraona Pohl — dpr-barcelona

 

Ethel Baraona Pohl 

Curadora, ensaísta e crítica. Co-fundadora do atelier de investigação independente, e editora, dpr-barcelona, que trabalha nas áreas da arquitectura, teoria política e meio social. Editora dos Quaderns d’arquitectura i urbanisme, entre 2011 e 2016. Tem vindo a colaborar, ao longo dos anos, com diversas publicações e livros. Os seus ensaios podem ser lidos em publicações como Open Source Architecture (Thames and Hudson, 2015), Together! The New Architecture of the Collective (Ruby Press, 2017) e Volume, entre outras. Curadora associada da exposição Adhocracy, inicialmente uma encomenda da Bienal de Design de Istambul de 2012, e depois exposta no New Museum, em Nova Iorque (Maio de 2013) e no Lime Wharf, em Londres (Verão, 2013). Curadora do terceiro programa Think Space com o tema Money; co-curadora (juntamente com César Reyes e Pelin Tan) da exposição Adhocracy ATHENS no Centro Cultural Onassis (2015). Directora da Foros 2017, série de conferências de arquitectura da School of Architecture da UIC, Barcelona. Desde 2016 o dpr-barcelona é membro da Future Architecture, a primeira plataforma pan-europeia de museus, festivais e produtores de arquitectura.

 

Lucia Tahan  

Estudou Arquitectura e Urbanismo na Universidade Politécnica de Madrid, na Universidade Politécnica de Berlim e na Academia de Arte e Design - Bezalel, em Jerusalém. Desde 2015 que se reside em Madrid e é membro do colectivo de arquitectura Leon11. Criou instalações em Fukuoka, Lyon e Berlim que mostram complexidades e preocupações políticas e o seu trabalho abrange UX Design, pesquisa sobre urbanismo e construção. 

 

Fakt Office 

Este jovem atelier sediado em Berlim e Zurique, foi fundado por Sebastian Ernst, Sebastian Kern, Martin Tessarz e Jonas Tratz em 2013. Esta equipa de arquitectos em crescimento, tem uma enorme vontade de construir casas, objectos e ideias. Os novos projectos são encarados considerando sistemas, referências, lugares e precedentes. Como nome, FAKT representa o objectivo de encontrar uma resposta clara e precisa para cada projecto. 

 

Bika Rebek

Arquitecta cuja prática envolve diversos formatos (escrita, pesquisa, e instalação) que funcionam como catalisadores para um pensamento aberto sobre a produção de arquitectura. É sócia do atelier nova iorquino SibilaSoon, professora na Universidade Columbia, e residente na New Inc, uma incubadora promovida pelo New Museum (Nova Iorque). No passado, colaborou como designer de exposições do Metropolitan Museum of Art (Nova Iorque) e uma série de outros ateliers internacionais.   

 

Léopold Lambert

Arquitecto sedeado em Paris, fundador e Editor-Chefe da The Funambulist, uma revista imprensa e online, associada a um podcast e um blog que partilham uma linha editorial dedicada à pesquisa da política do espaço e dos corpos. É autor dos livros Weaponized Architecture: The Impossibility of Innocence (dpr-barcelona, 2012), Topie Impitoyable: The Corporeal Politics of the Cloth, the Wall, and the Street (punctum, 2016) e La politique du Bulldozer: La ruine palestinienne comme projet israélien (B2, 2016).