Prémio Début, uma década depois
Com a convicção do papel determinante que a arquitectura desempenha, a cada edição atribuímos um tríade de prémios Trienal de Lisboa Millennium bcp. Se o Prémio Carreira e o Concurso Universidades nascem logo em 2007, o Prémio Début é criado com a maturidade de Close Closer para promover formas de pensar e agir inovadoras, e que tragam uma nova expressão à disciplina. Como sublinha José Mateus, Presidente da Trienal de Lisboa, “em arquitectura, as gerações mais jovens são portadoras de referências, inquietações e aspirações que é fundamental reconhecer e valorizar. Este prémio foi instituído enquanto gesto simbólico de incentivo para o futuro.”
Aproveitamos a abertura das candidaturas ao Prémio Début 2025 para fazer um balanço do galardão que na última década tem premiado ateliers com menos de 35 anos. “Ser jovem e ambicioso tem muito que se lhe diga,” como afirmou na cerimónia o primeiro laureado, o norte americano Jimenez Lai do atelier Bureau Spectacular. A estreia acolheu mais de 180 candidaturas, elogiadas pelo júri pela "variedade, originalidade, substância e qualidade que são testemunho de uma vibrante geração de profissionais a moldar a disciplina." O atelier Fala, um de dois finalistas portugueses nesse ano, ainda recorda o momento como sendo“simbólico: há muito, muito tempo, numa cidade distante de Tóquio, onde à época vivíamos, fomos honrados pela primeira vez com uma nomeação.”
Cerimónia de entrega de Prémio Début Trienal Lisboa Millennium bcp, Trienal 2016
Com o tempo, o âmbito territorial expandiu-se com candidaturas da Europa, América, Ásia e África. É com prazer que revemos estes pontos altos na cronologia da Trienal, como quando os chilenos Umwelt foram galardoados, confessando que este reconhecimento “veio no momento ideal da vida do nosso atelier, porque abriu-nos portas num contexto internacional.” Seguiu-se a dupla Bonell+Dòriga de Espanha, que “ao iniciar o nosso percurso em arquitectura com ambição e entusiasmo, mas também com dúvidas,” descobriu que ser finalista e ganhar “foi uma espécie de momento mágico e um sinal encorajador que estávamos no caminho certo.” Já o mais recente laureado, o estúdio paulista Vão, foi de Lisboa directamente para o parque Ibirapuera assinar a autoria da cenografia expositiva da 35.ª Bienal de Arte de São Paulo.
Além de quem vence, é no histórico alargado de finalistas que encontramos a demonstração do seu real potencial agregado. Como o júri de 2022 resume, “se as primeiras obras em arquitectura apontam o caminho posterior de quem as projecta, a partir dos finalistas é possível imaginar o trabalho futuro de toda uma geração.” Entre tantos nomes que são hoje em dia conhecidos internacionalmente, encontram-se alguns dos mais promissores ateliers em cada momento, alguns com um crescimento acentuado desde a passagem pela Trienal. Em 2015, dois anos depois, o londrino Assemble Studio ganhou o Prémio Turner. Já o escritor, editor, e podcaster Léopold Lambert fundou nesse ano a pertinente e irreverente revista The Funambulist. La Borda, uma cooperativa de habitação em Barcelona desenhada pelo colectivo Lacol arrecadou o Prémio Mies Van der Rohe na categoria emergente em 2022. O percurso da mexicana Frida Escobedo é paradigmático: a mais jovem arquitecta a desenhar um pavilhão da Serpentine (em 2018) é também a autora da nova ala do Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque e parte da equipa que venceu em Junho de 2024 o concurso de renovação do Museu Pompidou. O finalista madrileno Pedro Pitarch sintetiza que, na sua perspectiva,“vencer, no final de contas, não é mais importante do que a rede de referências, práticas e afinidades que estabelece.”
Ao longo dos anos temos convidado individualidades de todo o mundo a nomear, a par das candidaturas auto-propostas, quem entra na corrida. Este rol de mais de uma centena de figuras em constante renovação ajuda o prémio a auscultar tendências que ainda não afloraram completamente e a ganhar uma amplitude hiper-local a uma escala global.
A cerimónia de entrega dos prémios Trienal de Lisboa Millennium bcp é o culminar do trabalho de tantas pessoas e o ponto de encontro das equipas finalistas, vencedoras e júri num palco internacional. Para quem marca presença, a opinião é consensual. Se os Supervoid destacam este “momento extraordinário para estabelecer novas ligações e reforçar as existentes”, os Spatial Anatomy sublinham a oportunidade para “interagir e trocar perspectivas sobre projectos e formas de trabalhar em diferentes contextos. Algumas conversas prolongaram-se para além da Trienal.” Esta é também a visão de Tiago Antero, que descreve uma “experiência fantástica e enriquecedora, pelo reconhecimento do nosso curto percurso e por se poder conhecer e aprender com profissionais incríveis de todo o mundo. Participámos mais tarde em concursos com outros finalistas!”
Cerimónia de entrega de Prémio Début Trienal Lisboa Millennium bcp, Trienal 2022
Acompanhar o percurso destas práticas de vários continentes é aprender com a diversidade de visões sobre o futuro do mundo que partilhamos. É bom ver o seu crescimento e que nós crescemos também. Agradecemos a confiança de quem participa, resumida nos votos dos RC Architects: “espero que continue a inspirar e a impulsionar a inovação, e que permita muitas mais colaborações, para moldar um futuro mais resiliente e inclusivo.”
Volvida uma década, continuamos atentos em consolidar este galardão, mantendo a cumplicidade da parceria com a Fundação Millennium bcp. Subscrevemos as palavras do seu Presidente, António Monteiro, que “tem o maior orgulho nesta colaboração que comemora o mérito e a excelência de jovens ateliers que têm continuado a dar cartas no panorama mundial, refletindo as mudanças pelas quais a disciplina tem passado.”
Renovamos este compromisso com as gerações que protagonizam a renovação disciplinar, com a novidade de que a idade limite para se candidatar aumenta para 40 anos, abrangendo um arco profissional maior. Queremos que o Début continue a destacar exemplos de resiliência, criatividade e optimismo. Celebramos com uma nova secção no site dedicada aos Prémios Trienal de Lisboa Millennium bcp e a quem reúne argúcia, vocação e sentido de missão.
