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Trienal de Arquitectura de Lisboa

Gregotti, uma das maiores referências mundiais da arquitectura deixou-nos

Vittorio Gregotti deixou-nos no passado dia 15 de Março de 2020. Com sua obra, o arquitecto italiano de 92 anos deixa um legado na história da arquitectura incomparável. Entre os projectos mais importantes realizados pelo atelier Gregotti Associati International, fundado em 1974, contam-se o plano de desenvolvimento do distrito de Bicocca, em Milão (1985-2005), o Centro Cultural de Belém, em Lisboa (1988-1993), o estádio Marassi em Génova, o Teatro degli Arcimboldi (2001) em Milão e o Teatro lírico de Aix-en-Provence (2003-2007), destacando aqui apenas alguns. Em 1975, foi curador da Bienal de Veneza, a primeira em que a arquitectura foi oficialmente introduzida como uma extensão das artes visuais. Gregotti tornou-se, assim, a figura central para que hoje a mais importante Bienal do mundoenalteça a arquitectura como uma das disciplinas primordiais do seu programa. O seu projecto mais recente foi a renovação da antiga fábrica transformado no Teatro de Fundição de Leopolda, em Follonica (Grosseto, Itália).

 

Relembramos que, em 2007, na 1ª edição do fórum internacional que organizamos foi galardoado com o Prémio Carreira Trienal de Lisboa Millennium bcp, justificado por ser uma das maiores referências da arquitectura europeia. Um prémio internacional no qual foi entregue uma obra do artista Pedro Cabrita Reis pelas mãos do Presidente da República Portuguesa Professor Aníbal Cavaco Silva. Nesta cerimónia, o presidente da Trienal, José Mateus, assinalou o sentido de dívida inscrito nesta distinção, relembrando a natureza controversa do edifício do CCB e de como este se tornou parte inegável do património da capital portuguesa. Ontem, com grande pesar, relembrou o arquitecto, assim:

 

Gregotti sempre foi e será um exemplo inspirador para todos nós pela sua paixão e profunda dedicação à arquitectura. Entregou-se com um olhar sempre amplo e crítico a todas as dimensões do ser arquitecto, enquanto professor, projectista, escreveu livros, artigos na imprensa, dirigiu revistas de referência. Através da sua ímpar obra, influenciou o pensamento da arquitectura, onde teve um papel crucial na divulgação e reconhecimento da arquitectura portuguesa. Por tudo isso, temos relativamente a Gregotti, um enorme sentido de gratidão e dívida.

 

Ainda aquando do reconhecimento, Álvaro Siza, patrono do prémio e membro do conselho consultivo da Trienal, destacou o importante contributo teórico de Gregotti presente nos seus muitos textos e artigos sobre arquitectura, definitivamente consolidado durante o período em que dirigiu a revista Casabella e também numa das suas publicações de referência, O Território da Arquitectura. Referiu ainda que foi membro "brilhante geração de arquitectos italianos que iniciou a prática profissional nos anos 50" Também Manuel Salgado, enquanto parceiro português do CCB, recordou o trajecto de elaboração intensa deste projecto e “a lição inesquecível” que recorda do seu contacto próximo com Vittorio Gregotti. “Trabalhar com Gregotti é aprender arquitectura. Ele ensina não apenas a fazer, mas também a pensar e a ler a cidade”.

 

Em 2007, Vittorio Gregotti agradeceu a distinção do Prémio instituído pela Trienal e o reconhecimento por, nas suas próprias palavras, “um dos meus melhores projectos e aquele que eu mais amo” referindo-se ao Centro Cultural de Belém que em 2019 por ocasião da celebração dos seus 25 anos apresentou uma exposição retrospectiva da obra do arquitecto italiano que esteve patente, entre os dias 13 de Novembro e 27 de Janeiro de 2019. Em 2020, somos nós que lhe agradecemos, recordando a sua obra, contribuição e papel na história da disciplina a que dedicou sua vida. Absolutamente Incontornável.