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Trienal de Arquitectura de Lisboa

Percursos Urbanos

Cinco passeios pela cidade durante o Open House Lisboa 2026

© José Martins

O 15.º Open House Lisboa, com o título ‘Sob Arquitetura e Comida’, regressa a 09 e 10 de maio de 2026 com mais uma mão-cheia de Percursos Urbanos para explorar as geografias alimentares da cidade.

Das águas livres a petingas enlatadas, e de moinhos enfarinhados a almuinhas de gema — venha descobrir os ventos que alimentaram, as fontes que saciaram, a indústria que salgou e as hortas que ainda hoje nutrem Lisboa, e que fazem jus à alcunha alfacinha. Como sempre, os passeios são gratuitos e sem necessidade de inscrição prévia.

A Escala do Invisível: o Aqueduto como Espinha Dorsal do Território

Sábado, 10h

Com o Aqueduto das Águas Livres, a água deixou de ser um recurso de escassez para se tornar num elemento de socialização. O Aqueduto criou uma ‘cultura da água’, mudando a higiene e o quotidiano das famílias. Os chafarizes transformaram-se nos grandes fóruns da cidade, onde as classes se cruzavam e a informação circulava. Esta infraestrutura de 58 km, incluindo a travessia monumental do Vale de Alcântara, redefiniu a topografia e a expansão urbana de Lisboa, modificando hábitos culturais e sociais.

Ao domar a geografia, valorizou terrenos áridos e permitiu a fixação de indústrias e oficinas que dependiam de um fluxo constante, ditando para onde a cidade crescia e onde o capital se investia. A água das Águas Livres permitiu a proliferação de hortas urbanas e periurbanas e a manutenção de mercados. Sem esta linha artificial, a dieta da cidade seria limitada pela geografia seca; com ela, criaram-se pomares e garantiu-se a frescura dos produtos que chegavam à mesa dos lisboetas.

Passeio guiado por Bárbara Sofia Bruno

Ponto de Partida Aqueduto, Calçada da Quintinha, 6
Ponto de chegada São Pedro de Alcântara

 

A Cidade Também se Mastiga

Sábado, 11h

Como desenham os alimentos geografias de proximidade? Este percurso parte de uma intuição simples e persistente: arquitetura e alimentação são linguagens que organizam a vida na cidade. As hortas urbanas surgem como pequenos laboratórios de futuro; nelas o solo reaparece como gesto político e sensorial. São interstícios férteis que interrompem o asfalto e devolvem à cidade o ritmo das estações. São dispositivos de encontro, arquitetura social. São pequenas infraestruturas de cuidado onde se experimentam formas alternativas de viver o urbano.

Produzem trabalho coletivo, convocam mãos diversas, cruzam gerações, constroem vínculos. Este percurso convida a caminhar, pensar e provar a cidade de outro modo: como organismo vivo, onde cada canteiro é uma hipótese política, ecológica e estética.

Passeio guiado por Joana Lucas

 

Ponto de partida Horta do Alto da Eira
Ponto de chegada Quinta do Ferro

Uma Sardinha na Cidade

Sábado, 16h

Na história de Lisboa, a presença humana confunde-se com a presença da sardinha. Desde o Império Romano até aos nossos dias, este pequeno peixe foi capturado, transformado, consumido e celebrado dentro e fora da cidade. A sardinha foi um alimento crucial para o abastecimento urbano e é um produto de exportação integrado no comércio global.

Nesta visita percorremos os principais pontos da Lisboa ribeirinha que revelam esta história: da praça D. Luís ao Cais do Sodré, da rua do Arsenal à Rua Augusta, até à Rua dos Bacalhoeiros. Uma história que, longe de concluída, continua a ser reinventada todos os dias.

Passeio guiado por Francisco Henriques

 

Ponto de partida Praça D. Luís, junto ao Mercado da Ribeira
Ponto de chegada Rua dos Bacalhoeiros, junto à Conserveira de Lisboa

Ventos que Alimentaram Lisboa

Domingo, 10h30

Durante séculos, os moinhos de vento pontuaram colinas e arrabaldes de Lisboa, garantindo a moagem do cereal que sustentava a vida urbana. Com a modernização dos sistemas de moagem e, mais tarde, com o crescimento urbano, muitos foram abandonados, transformados e ocultados pela expansão habitacional e pelas grandes vias que redesenharam a cidade.

Este percurso convida a reencontrar esses vestígios — alguns reduzidos a ruínas, outros convertidos em habitação, memória ou símbolo político — e a compreender o seu papel nas antigas redes de abastecimento. Ao seguirmos estas presenças discretas, refletiremos histórica e arqueologicamente sobre a transformação acelerada das paisagens, a energia que nos move, e sobre a distância crescente entre a cidade contemporânea e os recursos que a alimentam.

Passeio guiado por Leonor Medeiros

 

Ponto de partida Moinho do Penedo
Ponto de chegada Parque Urbano dos Moinhos de Santana

Carlos Mardel e a Água das Fontes

Domingo, 11h 

Martel Karóly é o nome original do arquiteto húngaro, nascido em Bratislava em 1695, que transformou para sempre a cidade de Lisboa. Foi sob a sua direção que, em 1747, uma junta de arquitetos definiu que, ao chegar à cidade, o Aqueduto deveria assumir também um papel de ornato urbano, estruturado por uma rede de chafarizes.

A Mardel coube dar corpo a esta decisão, com intervenções que vão das Amoreiras a São Bento, do Rato à Rua Formosa, incluindo chafarizes como o da Esperança e o de São Pedro de Alcântara, destruído pelo terramoto de 1755 e nunca reconstruído. Deve-se a Carlos Mardel a mais elegante presença do Aqueduto em Lisboa e a mais marcante no urbanismo da cidade.

Passeio guiado por Joaquim Caetano

 

Ponto de partida Mãe d’Água das Amoreiras
Ponto de chegada Chafariz da Esperança

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