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Trienal de Arquitectura de Lisboa

Portas abertas à rebeldia em Lisboa e Almada

«Se retirássemos as fachadas, que cidade ficaria à vista? Onde começa e acaba a identidade da cidade?»

O Open House Lisboa 2022 celebrou dez anos do evento em Portugal, na companhia de cerca de 80 especialistas para visitas, envolvendo 70 entidades e pessoas proprietárias que aceitaram entregar-nos a chave e ainda 238 pessoas na equipa de voluntariado para acolher e orientar visitantes no fim-de-semana de 14 e 15 de Maio. A Rebeldia do Invisível foi o fio condutor para uma selecção eclética de espaços distribuídos entre Lisboa e Almada, que optou por excluir ícones arquitectónicos da cidade para centrar a sua atenção nos projectos aparentemente banais que escondem um interior bem mais surpreendente.

«A relação exterior-interior tem feito com que gradualmente, nalguns casos, estes locais se tornem aves raras. São muito anónimos por fora, mas muito exóticos por dentro, muito especiais. As mudanças sociológicas que acontecem na cidade não se refletem nas fachadas dos prédios», sublinha Sérgio Antunes, comissário desta edição conjuntamente com Sofia Couto (Aurora Arquitectos). O Open House Lisboa é um evento concebido para chegar a todas as pessoas dentro e fora do círculo da arquitectura, promovendo uma aproximação à «arquitectura e ao desenho do espaço de excelência que sustentam uma cidade vibrante» e incentivando uma maior participação cívica.

Ao construir um palco para o diálogo entre quem projecta e quem visita, o Open House acaba por ser «um momento incrível porque as pessoas dizem coisas sobre o que fazemos enquanto arquitectura. Coisas boas, coisas más e coisas inesperadas. E isso é uma forma de nos devolverem aquilo que fazemos. É um espelho directo e isso é sempre incrível. E acaba por ser sempre um momento especial», menciona Sérgio Antunes. Em entrevista ao comissariado, Sara Nunes da Building Pictures acrescenta que o OHL «é um evento que nos permite conhecer melhor as cidades e fazer uma reflexão sobre elas.»

Diz-nos o visitante Nataniel Gonçalves Rosa que este projecto maravilhoso nos permite um contacto do público com o melhor da arquitectura e história da nossa cidade. «Sou um visitante muito assíduo, tenho ido a todas as vossas iniciativas e visto um grande número de edifícios. Não sou da área de arquitectura ou de história, por isso pretendo transmitir-vos a visão de um leigo e simples entusiasta destas temáticas. (…) A vossa iniciativa é meritória e maravilhosa! Parabéns a todos pelo trabalho desenvolvido! Para o ano voltarei e, quem sabe, me queiram como voluntário.»

O passeio sonoro do fotógrafo Daniel Blaufuks, que dá a descobrir um álbum de viagens muito pessoal do Cais do Sodré ao Rossio, mantém-se disponível, por isso ainda pode saborear um pouco do evento em retrospectiva.

Por entre raios de sol e pingos de chuva, o invisível por detrás das fachadas rebelou-se e animou Lisboa e Almada, registando uma vibrante adesão. O nosso grande agradecimento vai para visitantes, voluntariado, especialistas, propriedade dos espaços, apoios e comissariado – o evento é a soma de todas estas partes!

Convidamos a rever alguns momentos deste open house através do olhar da nossa equipa de reportagem ou deste vídeo documental. E se as cidades não páram, nós também não: já estamos de olhos postos no próximo Open House, para que tudo esteja a postos no momento de abrir as portas em Maio de 2023. Quer partilhar as suas ideias? Junte-se à família e dê-nos as suas sugestões!

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