MENU
PTEN
Trienal de Arquitectura de Lisboa

No Place Like – 4 houses, 4 films Representação Oficial Portuguesa La Biennale di Venezia Photo: Leonardo Finotti

No Place Like

4 houses, 4 films

Representação Oficial Portuguesa 
12th International Architecture Exhibition – La Biennale di Venezia


Pavilhão de Portugal | 29 de Agosto a 21 de Novembro de 2010

Università Ca’ Foscari Dorsoduro 3246

(Calle Larga Foscari) 30123 Venezia


Um bairro na cidade atracado como um barco, uma casa na praia com chão de areia, outra camuflada no meio da cidade, e mais outra que olha para a planície. Como as mostrar? A dupla Manuel e Francisco Aires Mateus, Ricardo Bak Gordon, João Luís Carrilho da Graça e Álvaro Siza Vieira são os arquitectos que representam Portugal na 12ª Exposição Internacional de Arquitectura - La Biennale di Venezia. Os comissários Julia Albani, José Mateus, Rita Palma e Delfim Sardo escolheram 4 projectos de habitação exemplares, de cada um destes arquitectos. Para os apresentar, encomendaram-se filmes ficcionados a Filipa César, João Onofre, João Salaviza e Julião Sarmento, alguns dos mais notáveis artistas e realizadores cinematográficos portugueses. As casas apresentadas através dos filmes, todas localizadas em Portugal, correspondem a diferentes topologias, situações e contextos. A exposição portuguesa realizou-se na Universidade Ca’ Foscari, uma instituição pública de referência e um espaço prestigiado da cidade de Veneza localizado na grande curva do Canal Grande. A participação portuguesa é organizada e produzida pela Direcção-Geral das Artes do Ministério da Cultura, com a colaboração da Trienal de Arquitectura de Lisboa.



4 casas


Manuel e Francisco Aires Mateus
Casa na Comporta
Comporta, Grândola, 2008 – 2010


A Casa na Comporta fica situada na costa portuguesa, 130 km a sul de Lisboa. Trata-se da recuperação de 4 construções existentes, directamente assente sobre a areia da praia. As funções da casa estão divididas pelas 4 construções ligadas apenas pelo areal. Esta casa, ao mesmo tempo maravilhosa e primitiva, assenta sobre uma continuidade espacial “fora dentro”, a partir do mais básico, do mais fundamental: o chão. Como a areia que, fora e dentro, acaricia os nossos pés descalços. E, ainda que na memória descritiva, o arquitecto diga que o projecto responde a condições muito específicas, creio que a resposta – e esse é o grande acerto desta casa – é a sua universalidade. 


Campos Baeza, Alberto, 2010*



João Luís Carrilho da Graça
Casa Candeias
S. Sebastião da Giesteira, Évora. 1999-2008


A Casa Candeias fica situada no interior sul de Portugal, no Alentejo. Localizada numa pequena aldeia, desenvolve-se em torno de um pátio que se abre sobre a planície. O projecto foi concebido para a irmã do autor. O pátio abre-se livremente sobre o campo onde, todavia, a piscina escavada no limite do pódio o enquadra como um pano de fundo longínquo. Só o deslizar diagonal do corte que corresponde à abertura da sala de estar da casa sobre o pátio revela uma concessão aos direitos da paisagem, ao mesmo tempo que atribui uma espessura – um sombrear – ao plano no qual é recortado. Quer se observe a construção a partir da base do pódio, quer se aceda do lado fechado do pátio (à mesma quota), a casa parece flutuar na paisagem como uma composição concisa de volumes leves e suspensos.


Francesco Dal Co, 2010*



Ricardo Bak Gordon
2 Casas em Santa Isabel 
Lisboa, Portugal, 2003 - 2010


As casas em Santa Isabel estão localizadas no Bairro de Campo de Ourique, um bairro de classe média no centro de Lisboa, com tradições republicanas e liberais. O projecto está localizado no interior de um quarteirão, invisível da rua. A casa em Santa Isabel, com os seus múltiplos pátios, assemelha-se mais estreitamente ao traçado de uma casa chinesa. Este planeamento faz um uso inteligente de um terreno situado no meio de um quarteirão urbano. Em resultado da sua localização exacta, as casas estão, de alguma forma, escondidas, e nenhuma delas tem vista para a rua. Os pátios estão dispostos numa constelação de espaços abertos que resultam numa matriz espacial complexa. Cada pátio tem a sua própria personalidade e função, e todos devem ser entendidos como salas exteriores.


Jonathan Sergison, 2010*



Álvaro Siza Vieira
Bouça
Porto, 1973 – 1978, 2001 – 2006


O projecto da Bouça, no centro do Porto, foi iniciado em 1973, tendo sido inserido no SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local) em 1975. O projecto decorreu em duas fases: a primeira, terminada em 1978, só viria a ser retomada em 2000, tendo o bairro sido recuperado e concluído em 2006.

A conclusão do projecto do conjunto habitacional da Bouça de Álvaro Siza, permite-nos reflectir sobre uma série de questões. Para aqueles que são da minha geração, o projecto permanece uma referência, não apenas enquanto projecto de tipologia habitacional, mas também pela resiliência da sua abordagem arquitectónica. Por outro lado, nestes últimos 30 anos, testemunhámos uma gradual perda do interesse pela questão da habitação social. Com o esbater da liderança e visão por parte das autoridades públicas, e com o papel crescente do sector comercial, a agenda social para estes projectos foi substituída pelas prioridades do mercado. O contexto da Bouça desafia o papel da composição e da inovação arquitectónica, para além do planeamento inteligente e ponderado dos apartamentos e do complexo urbano.


David Chipperfield, 2010* 



4 filmes


Como mostrar, então, estas casas senão através de filmes? Por um lado, a dimensão serial (no caso da Bouça), o carácter narrativo da casa de Bak Gordon, a ficção de Aires Mateus ou a intuição do charriot que transporta uma câmara em torno da casa de Évora, de Carrilho da Graça, exigiam serem mostradas através de filmes. Nesse sentido, o convite, endereçado a três artistas plásticos e a um realizador para conceberem curtas metragens onde sejam representadas cada uma das casas que apresentamos, procura restaurar esta ligação entre a arquitectura e a sua cinemática, aqui construída a partir dos olhares de Filipa César, que filmou a Bouça; João Onofre, que tematizou a casa projectada por Bak Gordon; Julião Sarmento, que apresenta a casa de Évora de Carrilho da Graça; e João Salaviza que ficcionou a casa na Comporta de Aires Mateus. Nesses filmes, que colocam uma outra camada de sistemas de representação, está contida a relação que fez com que estes projectos tivessem sido escolhidos: a sua individualidade, o seu carácter específico, a forma como assumem a idiossincrasia das suas poéticas e que, paradoxalmente, são o eixo da sua universalidade.    



Filipa César
“Porto, 1975”, 2010
9’40’’, 16 mm transferido para HD
dimensões variáveis
Cortesia Cristina Guerra Contemporary Art

João Onofre
“Sem Título (SUN 2500)”, 2010
Vídeo HD monocanal, HD
PAL, 16:9, cor, som
Cortesia Cristina Guerra Contemporary Art

João Salaviza
“Casa na Comporta”, 2010
20’’, formato de rodagem: 2K 1:85,
formato de projecção: 16:9

Julião Sarmento
“Cromlech”, 2010
38’27’’, vídeo HD mono-canal,
PAL (1080i), 16:9, cor, som
dimensões variáveis
Cortesia Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa/Sean Kelly Gallery, Nova Iorque


*in “No Place Like – 4 houses, 4 films”, 120 páginas, Direcção-Geral das Artes/Ministério da Cultura, 2010 (cat)