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Trienal de Arquitectura de Lisboa

Sede EDP - Vencedor ex aequo do Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura 2017, Av. 24 de Julho © AMA

Valmor

Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura

Há mais de cem anos que o Prémio Valmor, mais tarde fundido com o Prémio Municipal de Arquitetura, vem distinguindo os melhores exemplares da arquitectura da cidade de Lisboa, e desta forma, também inúmeros arquitectos que vieram a ficar na história da arquitectura do nosso país. Este prémio, cuja reputação vai além da capital, tornou-se muito justamente um símbolo maior da competência nesta disciplina e um estímulo para todos os arquitectos que se dedicam à concepção e construção da cidade.

O Prémio Valmor foi criado em 1903, em cumprimento do legado testamentário do 2.º Visconde de Valmor, Fausto Correia Guedes. Desde esta época é atribuído, em partes iguais, ao arquitecto autor do projecto e ao promotor da obra, “com a condição (…) de que essa casa nova, ou restauração de edifício velho, tenha um estilo arquitectónico Clássico, Grego ou Romano, Romão-Gótico, ou da Renascença ou algum tipo artístico Portuguez, enfim um estilo digno de uma cidade civilizada”.

A fusão com o Prémio Municipal de Arquitetura, em 1982, proporcionou a criação de um novo regulamento, que tem vindo a ser actualizado, passando o novo Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura a dispensar candidatura prévia e a premiar obras totais e integrais de construção, remodelação ou recuperação, sendo mais recentemente alargado a intervenções no espaço público.

A Trienal de Lisboa colaborou com a CML na recolha dos dados, no acompanhamento e secretariado das reuniões de júri, na reformulação da imagem gráfica dos materiais de apresentação do prémio, no desenho e montagem da exposição associada, assim como na organização das visitas às obras premiadas.

No dia 11 de Abril de 2019, foram anunciados os vencedores e menções honrosas do Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura 2017, que se juntam aos galardoados no ciclo 2013–2016, divulgados a 18 de Dezembro de 2017. Foi nesse ciclo que a Trienal iniciou a colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa relativamente ao centenário prémio, tendo sido apresentados os vencedores e menções honrosas de 4 anos consecutivos.



2017

Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura ex æquo

Edifício Sede da EDP por Aires Mateus (arquitectos) 
e EDP – Energias de Portugal (promotor)


A história de Lisboa e do aterro conquistado à água ditaram a implantação dos corpos edificados, perpendiculares ao rio. À altura da instituição que representa, o conjunto projecta uma aparência eléctrica e enérgica, que se transforma com a luz do dia e o local de onde é observado.
A construção é desenhada por uma única linha, que lhe atribui volume e expressão, sem perder leveza e permeabilidade. Estas lâminas de ensombramento — perfis metálicos revestidos a placas de cimento branco reforçado com fibra de vidro — respondem à necessidade de sustentabilidade energética do edifício e garantem a flexibilidade programática interior e o suporte dos vários pisos.
Dois blocos de escritórios, com 7 pisos, são interligados por duas galerias sobrelevadas, nos extremos Norte e Sul do lote. Em contraponto, os espaços de maiores dimensões são enterrados — numa estrutura em betão armado subtérrea, podem ser encontrados os foyers, auditórios, salas de reuniões e exposições, e a cafetaria, sob os quais se escondem quatro pisos de estacionamento. Ao nível térreo, uma praça, pública mas institucional, é servida por um restaurante e uma loja de serviços que oferecem funções complementares às da sede.


2017


Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura ex æquo

Terminal de Cruzeiros de Lisboa
Carrilho da Graça, arquitectos (arquitecto)


APL – Administração do Porto de Lisboa e LCP - Lisbon Cruise Port, Lda. (promotor)


Construído sobre o plano desafogado do aterro ribeirinho, o compacto edifício responde a parte da pressão turística exercida sobre Lisboa. As variações da sua morfologia albergam um programa diverso que o espaço público adjacente permite prolongar. Levantada do chão, a edificação transforma-se num miradouro entre o Tejo e Alfama. Cega do lado do rio, de onde se lê como um discreto embasamento pétreo da cidade, e vincando-se, do lado terra, apenas o suficiente para revelar os pontos de acesso. Uma nova porta de entrada para o turismo de cruzeiro.
O exosqueleto do edifício é materializado em betão branco com cortiça, com capacidade estrutural. Uma solução especialmente desenvolvida para aligeirar o peso do edifício, condicionado pelas fundações preexistentes, a partir de uma ideia de Carrilho da Graça.
As funções do terminal são constituídas por estacionamento, no subsolo; entrega, processamento e recolha de bagagem, no piso térreo; e área de passageiros, no primeiro piso. Uma passerelle de 600 metros faz a ligação aos navios. Enquadrando o edifício, uma alameda arborizada antecipa uma evolução além do seu uso como gare marítima.


2017


Menção Honrosa ex æquo

Palacete de Santa Catarina
Teresa Nunes da Ponte Arquitectura (arquitecto)


Eijrond Beheer B.V. (promotor)


Este palacete destaca-se da envolvente pelas suas volumetria e qualidade formal, constituindo-se como um marco urbano que se abre uma vista desafogada sobre a Bica, até ao Tejo. Respeitando o existente, a intervenção sobre este edifício oitocentista acusa a contemporaneidade, utilizando um desenho depurado e rigoroso para adaptar-se ao seu novo uso enquanto unidade hoteleira.
A intervenção recupera os espaços, enfatizando a racionalidade da compartimentação e a estrutura. Restauram-se os vários elementos com as técnicas e os materiais tradicionais, e demole-se a maior parte dos elementos espúrios recentes. Os pormenores da decoração são renovados e é desenhada a maior parte do mobiliário.


2017


Menção Honrosa ex æquo


Lisbon Stone Block
Souza Oliveira, arquitectura e urbanismo (arquitecto)


Imoproperty – Fundo Especial de Investimento Imobiliário (promotor)


Apelidado de Lisbon Stone Block pelo aspecto de bloco pétreo que a sua imagem urbana lhe confere, este edifício localiza-se num gaveto das Avenidas Novas. O seu conceito baseia-se numa fachada mutante, em “pele de pedra”, que configura diferentes imagens de acordo com o uso: de noite, irradia luz para o exterior; de dia, é atravessada pela luz que chega ao interior por entre os painéis de posição variável.
Ao piso térreo envidraçado destinado ao comércio, juntam-se, distribuídos por oito pisos, 20 fogos caracterizados por uma sala que articula e dá sequência à cozinha. Plantas em que é visível uma procura pela contemporaneidade do estar, articulando o estar/conviver, o comer e o preparar de refeições através de um versátil sistema de painéis móveis. Todos os quartos apresentam uma organização próxima da de uma suite, procurando proporcionar níveis mais confortáveis de intimidade.


2017

Menção Honrosa ex æquo


Casa em Alfama
Matos Gameiro, arquitectos (arquitecto)


João Paulo Gonçalves Silva Cardoso (promotor)


Localizada num pequeno largo de Alfama, abaixo do Mosteiro de São Vicente de Fora e junto ao Panteão Nacional, a operação trata da recuperação e transformação em guest house de um edifício de base medieval, exemplo raro num conjunto dominado por edificações posteriores ao terramoto de 1755.
A ocupação da pequena construção foi gerando, ao longo dos tempos, novos muros, que resultam numa casa com dois pátios. A intervenção pretendeu esclarecer o argumento interno, reforçando o seu sentido mais intrínseco: se os pátios determinam a organização, será nos seus intervalos que se dispõe o programa. Do projecto, resultaram quatro espaços exteriores, intercalados por lugares de abrigo.
O conjunto remete para as ideias de ruína, devido ao seu carácter destelhado; de contenção, pela natureza das celas habitáveis; e do prazer com que se exploram os pátios, enquanto salas exteriores, destituídas de função imediata, uma das quais se acha inundada de água quente.


2017


Menção Honrosa ex æquo


Largo de Santos e vias adjacentes
92 Arquitectos (arquitectos) e Victor Beiramar Diniz (arquitecto paisagista)


Câmara Municipal de Lisboa (promotor)


Um projecto infra-estrutural que decorre no âmbito do programa “Uma Praça em Cada Bairro”, tendo como ponto de partida o programa preliminar desenvolvido pelo departamento de Espaço Público da Câmara Municipal de Lisboa, que propõe uma nova microcentralidade para a capital.
Os principais objectivos da intervenção são a devolução do espaço ao peão, a implementação de uma rede de ciclovia e o aumento da área verde, reduzindo-se o número de faixas viárias. O projecto foca-se ainda na melhoria das ligações pedonais aos transportes públicos.
Observando a assimetria que caracterizava a Avenida 24 de Julho, conclui-se fundamental a criação de uma forte unidade. Celebrando o contexto do bairro num processo territorial socialmente democrático, a requalificação do espaço público permite a melhoria da experiência urbana.


Júri 2017

Para o ano de 2017, o júri foi constituído pela Dr.ª Catarina Vaz Pinto, em representação do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, pelo Arq. Jorge Catarino Tavares, em representação do Vereador do Pelouro do Urbanismo, pelo Arq. Alberto Souza Oliveira, personalidade convidada pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, pelo Arq. Francisco Berger, representante da Academia Nacional de Belas-Artes, pelo Arq. Cândido Chuva Gomes, representante da Ordem dos Arquitectos, e pelo Arq. João Pardal Monteiro, representante da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa. Os textos sobre as obras foram elaborados a partir das memórias descritivas enviadas pelos autores/arquitectos.



2016
Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura
Cine-Teatro Capitólio
Alberto Souza Oliveira (arquitecto)
Câmara Municipal de Lisboa (promotor)


Uma obra de arquitectura modernista, o Capitólio tem um estilo internacional, uma estética racional, e uma recusa do ornamento arquitectónico. Este projecto de Cristino da Silva, inaugurado em 1931, visava a construção de uma grande sala de espectáculos sobre a qual se dispunha um rasgado terraço, aberto à população da cidade. A grande sala comunicava, lateralmente, para o exterior, através de três grandes painéis envidraçados, correspondentes a cada alçado. Em 1936, o edifício é adaptado ao cinema sonoro, com a instalação de um balcão e dois foyers laterais, obra que o vem descaracterizar.

A alteração visou a reposição parcial das suas características de 1931, ou seja: supressão das obras de 1936, repondo a sua grande sala e reabilitando o edifício, melhorando o seu desempenho, e atingindo uma versatilidade compatível com as novas exigências da produção contemporânea de espectáculos. O que significou ampliar a capacidade de uso, conferindo ao edifício um apetrechamento técnico acrescido. A depuração estética de todo o edifício exigiu compatibilizar meios mais “pesados”, decorrentes das instalações técnicas, com a própria “leveza” e simplicidade do edificado.


2016
Menção Honrosa
Centro Comercial Caleidoscópio
Pedro Lagrifa Carvalhais de Oliveira (arquitecto)
Universidade de Lisboa (promotor)


A proposta entende a requalificação do edifício repondo as suas características originais, retirando das fachadas e da cobertura os elementos que o descaracterizaram ao longo dos anos. Simultaneamente, foi feita uma reorganização espacial no interior adequando o edifício às suas novas funções, segundo duas áreas distintas: comercial e académica. Estes espaços, desenham-se a partir de uma matriz hexagonal, revelando a estrutura e abrindo-se ao jardim. O acesso principal ao Centro Académico faz-se sob a pala, que marca a entrada e materializa um novo espaço de átrio exterior com ligação ao jardim, e zona de esplanada sobre o lago. Este novo elemento prolonga a sombra do interior para o exterior e estabelece o novo momento do edifício; uma varanda sobre o lago, lugar de passagem e contemplação.


2016
Menção Honrosa
MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia
Amanda Jane Levete (arquitecta)
Fundação EDP (promotor)


Em comunicação com a Central Tejo através de um jardim pensado pelo arquitecto paisagista Vladimir Djurovic, este novo museu tem quatro espaços expositivos: Galeria Oval, Galeria Principal, Video Room e Project Room, num total de cerca de 3000 m². A diversidade de programas e de espaços exploram a convergência da arquitectura, tecnologia e arte contemporânea como um campo de prática cultural, que acomoda um programa transdisciplinar de exposições, eventos públicos e envolvimento com a comunidade. Inspirado pelo rico património material de Lisboa, a calçada portuguesa é subtilmente reinterpretada aos nossos pés e usada para fundir os novos espaços públicos (mais de 7000 m²) com a textura existente das ruas da cidade.


Júri 2016

Para o ano de 2016, o júri foi constituído pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Fernando Medina, pela Vereadora da Cultura, Dr.ª Catarina Vaz Pinto, pelo Vereador do Urbanismo, Arq. Manuel Salgado, e por representantes da Academia de Belas-Artes, Arq. Francisco Berger, da Ordem dos Arquitectos, Arq. Cândido Chuva Gomes e da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, Arq. João Pardal Monteiro. Os textos sobre as obras foram elaborados a partir das memórias descritivas enviadas pelos autores/arquitectos.



2015
Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura
Terraços do Carmo
Álvaro Siza com Carlos Castanheira (arquitectos)
Câmara Municipal de Lisboa (promotor)


O Plano de Ligação do Pátio B ao Largo do Carmo e Terraços do Carmo começou como um todo. Foram realizados acordos e protocolos importantes e fizeram-se estudos. O trabalho foi dividido em duas partes: uma correspondente à ligação do Pátio B ao Largo do Carmo e outra aos Terraços do Carmo.

O plano aprovado pelas várias entidades, pouco diverge da ideia inicial e definida no Plano da Zona Sinistrada do Chiado. Foram realizadas adaptações resultantes de novas premissas e de um melhor conhecimento da realidade. O percurso é o mesmo e permite a descida até à Rua do Carmo ou Rua Garrett desde o Largo do Carmo, por meio de rampas, escadas e também por elevador público incorporado na recuperação do Edifício Leonel, que suporta parcialmente o acesso, em ponte, desde e para o Elevador de Santa Justa.

Foi alargada a área de intervenção junto ao edifício conhecido por Palácio Valadares ou Escola Veiga Beirão, criando urbanidade, permitindo outros percursos, maior vivência. Seguiram-se mais estudos para a realização dos projetos de execução, demolições das construções dos Terraços do Carmo e a segunda fase do trabalho. Complexo de procuras, dificuldades e encontro de soluções.


2015
Menção Honrosa
Habitação no Restelo
Ana Mafalda Sequeira Batalha (arquitecta)
Terraquinta, Gestão e Administração de Património Imobiliário SA (promotor)


O edifício desenvolve-se em quatro pisos sobrepostos. O piso térreo distribui-se a duas cotas diferentes: a sala de estar comunica com o terreno à cota mais baixa, e a sala de jantar, cozinha e biblioteca, à cota mais alta. O requisito da casa encerrar completamente, serviu de base para o desenho das portadas integradas nas paredes e do revestimento da fachada. Foi escolhido o aço corten, pela sua durabilidade e resistência, e porque o seu aspecto reforça a relação com o terreno. Nos dois pisos superiores, a construção é em betão branco à vista, sendo as aberturas recuadas e protegidas. A tipologia de dois corpos que se relacionam através de níveis intermédios permitiu que o edifício respondesse ao programa proposto, não assumindo no entanto uma presença imponente, mas, pelo contrário, integrando-se no terreno.


2015
Menção Honrosa
Museu Nacional dos Coches
Paulo Mendes da Rocha, Bak Gordon e João Ferreira Nunes (arquitectos)
DGPC (promotor)


Este novo museu adopta um critério centrado na ideia da preservação definitiva, do tesouro guardado, e a um só tempo visitado. Arte e técnica em constante andamento. Exposições e oficinas, cenários que mudam. Som e imagens virtuais associadas aos artefactos originais. A construção está proposta de modo dual: pavilhão principal, com a sua nave suspensa para as exposições; e um anexo, com recepção, administração, restaurante, auditório, serviço educativo e que ampara estrategicamente a tomada, em rampas, para a passagem pública de pedestres e ciclável até ao Tejo.


Júri 2015


Para o ano de 2015, o júri foi constituído pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Fernando Medina, pela Vereadora da Cultura, Dr.ª Catarina Vaz Pinto, pelo Vereador do Urbanismo, Arq. Manuel Salgado, e por representantes da Academia de Belas-Artes, Arq. Francisco Berger, da Ordem dos Arquitectos, Arq. Cândido Chuva Gomes e da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, Arq. João Pardal Monteiro.



2014
Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura
Banco de Portugal – Museu do Dinheiro
João Pedro Falcão de Campos e Gonçalo Byrne (arquitectos)
Banco de Portugal (promotor)


Salvaguardando as condições necessárias ao funcionamento da instituição, o projecto teve como objectivo abrir o edifício à cidade. O espaço público das praças do Município e de São Julião prolonga-se na sequência espacial da antiga igreja e estende-se até ao saguão, transportando a luz. Define-se assim um claro eixo longitudinal, complementado por escadas e elevadores, que estrutura todo o edifício, ordenando os seus usos e percursos.

A arqueologia assume um papel activo no processo de intervenção, revelando e recolhendo os fragmentos de sucessivos estratos de ocupações do local, que remontam ao séc. I d.C., mas também informando as decisões de projecto; em particular, a proposta de um núcleo museológico incorporando o troço da muralha de D. Dinis, património nacional posto a descoberto com os trabalhos. A artista plástica Fernanda Fragateiro colaborou na concepção das cortinas em seda pura, que delimitam o espaço da igreja e corrigem a sua acústica.


2014
Menção Honrosa
Habitação na Travessa do Patrocínio
Luís Maria Belo Rebelo de Andrade (arquitecto)
Sigma Pax Investimentos, SA (promotor)


Este edifício de linhas vincadamente modernas, não se confunde de todo com a arquitectura circundante, e ao mesmo tempo consegue não destoar. Com quatro pisos, esta habitação é revestida com um jardim vertical composto por cerca de 4.500 plantas, todas elas de variedades ibéricas ou mediterrânicas. Por dentro, a escada de tiro perpassa todos os pisos até à cobertura. O recorte da cobertura sobre o vão da escada oferece ao interior luz abundante que banha os três pisos. O último piso do edifício compreende uma piscina desenhada longitudinalmente.


2014
Menção Honrosa
Teatro Romano
Daniela Hermano e João Carrasco (arquitectos)
Câmara Municipal de Lisboa (promotor)


Este monumento insere-se num tecido urbano de matriz pós-pombalina, implantado na encosta da Colina do Castelo. Museu in situ, deve ser entendido como um contínuo de vestígios, composto por percursos museológicos em campo arqueológico, sem condicionar a malha urbana existente. A concepção unifica um conjunto edificado, composto por um edifício pós-pombalino, que integra a recepção, com acesso ao terraço e à antiga Casa de Fresco. Daqui tem-se uma vista privilegiada sobre o campo arqueológico, a norte, e o rio Tejo, a sul. Um nível inferior introduz-nos num edifício de arquitectura industrial, que corresponde a um piso em mezanino acrescentado nos inícios do séc. XX e que se sobrepõe ao piso inferior, denominado por nave central expositiva, que acolhe a maioria dos achados arqueológicos.


Júri 2014


Para o ano de 2014, o júri foi constituído pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Fernando Medina, pela Vereadora da Cultura, Dr.ª Catarina Vaz Pinto, pelo Vereador do Urbanismo, Arq. Manuel Salgado, por personalidade nomeada pelo Presidente da Câmara, Arq. Sérgio Melo e por representantes da Academia de Belas-Artes, Arq. Francisco Berger, da Ordem dos Arquitectos, Arq. Cândido Chuva Gomes e da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, Arq. João Pardal Monteiro.



2013
Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura
ETAR de Alcântara
Frederico Valsassina, Manuel Aires Mateus e João Ferreira Nunes (arquitectos)
SimTejo (promotor)


Na operação de modernização da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcântara impunha-se a criação de uma cobertura que promovesse a preservação ambiental. O programa previa ainda dois edifícios de serviços, a situar ao lado da ETAR: um de monitorização da Estação, outro para servir de sede à empresa pública responsável.

No projecto, sobrepõem-se estes programas: tapa-se a ETAR com uma “cobertura espessa”, habitável, que contém todo o programa de serviços necessários, as circulações e os seus apoios. Numa relação de escala territorial, esta cobertura ajardinada prolonga as encostas verdes do vale de Alcântara, ajudando assim a diminuir o impacto provocado pelas infra-estruturas viárias na zona.

Na espessura da cobertura integra-se a construção. Modelando as pendentes, criam-se condições de habitabilidade e hierarquias entre os espaços. Nas vias, rasga-se a cobertura, ventilando e iluminando, mas nunca expondo. As áreas administrativas definem-se por um muro limite, um vidro e alguns volumes soltos, que albergam funções secundárias, separando as circulações internas dos espaços de trabalho.


2013
Menção Honrosa
Edifício de Consultores na Lispolis
João Luís Carrilho da Graça (arquitecto)
Novasede – Actividades Imobiliárias, SA (promotor)


Os espaços de trabalho desenharam-se luminosos, organizados em volta de um pátio habitado por vegetação, abrindo-se ao exterior numa relação mediada por grandes vãos, com diversas possibilidades de ensombramento e ocultação. As fachadas negras – onde os vãos se abrem como óculo durante o dia, e farol à noite – afirmam-se no contexto de um loteamento “tecnológico” incompleto, que os terrenos vagos ajudam a amenizar.


2013
Menção Honrosa
Habitação na Rua Teófilo Braga
José Mateus (arquitecto e promotor)


Desenhada pelo arquitecto para a própria família, a natureza desta casa resulta de uma reflexão sobre temas identitários da arquitectura lisboeta, numa tipologia recorrente de lote com seis metros de largura por 15 de profundidade, rematado por um pequeno jardim nas traseiras. Trata-se de um edifício de cinco pisos com duas fachadas radicalmente diferentes: a “pública“ em pedra de lioz branco e a das traseiras em vidro, ligadas por um mundo interior em betão aparente pontuado pela presença de elementos em madeira de bétula. A estrutura de betão, constituída por apenas três planos - duas empenas e uma lâmina transversal - é pensada e totalmente exposta para definir o essencial do espaço da casa.


2013
Menção Honrosa
Casa da Severa
José Adrião (arquitecto)
Câmara Municipal de Lisboa (promotor)


O edifício original apresentava diferentes problemas estruturais e escassas condições para habitar. De modo a adaptar o espaço existente ao novo programa público, optou-se por demolir o interior do edifício e preservar o seu exterior mantendo a sua forte identidade urbana. O acesso ao café/restaurante – espaço principal do equipamento – faz-se directamente a partir do espaço público através de uma escadaria, que funciona simultaneamente como zona de estar exterior. A sala principal tira partido da máxima altura interior disponível atingindo um pé-direito de 6,50 metros. No piso térreo estão situadas todas as zonas técnicas do programa, tais como cozinha, instalações sanitárias e arrumos.


Júri 2013


Para o ano de 2013, o júri foi constituído pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Fernando Medina, pela Vereadora da Cultura, Dr.ª Catarina Vaz Pinto, pelo Vereador do Urbanismo, Arq. Manuel Salgado, por personalidade nomeada pelo Presidente da Câmara, Arq. Sérgio Melo e por representantes da Academia de Belas-Artes, Arq. Francisco Berger, da Ordem dos Arquitectos, Arq. Cândido Chuva Gomes e da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, Arq. João Pardal Monteiro.