ReSa Architects vence Prémio Début Trienal de Lisboa Millennium bcp 2025
“Muito obrigada pelo prémio. Queremos voltar a algo que a Samia [Henni, membro do júri responsável pela escolha] disse ontem: ‘enquanto estamos aqui, há um genocídio a acontecer’, e a razão pela qual repetimos isto é porque acreditamos na ideia de escuta coletiva. Todas nós carregamos as circunstâncias políticas e sociais dos contextos de onde somos e ficámos muitos comovidas pela diversidade de situações presentes e que carregamos nos nossos corpos”, afirmou Shivani Shah, da ReSa Architects, vencedora do Prémio Début Trienal de Lisboa Millennium bcp 2025. “Estamos profundamente gratas pelo reconhecimento deste corpo de trabalho, cuja autoria é muito descentralizada: é o resultado da entrega de muita gente, tem sido desenvolvido coletivamente, e, por isso, gostaríamos de realçar que esta prática tem o nosso nome, mas o número de pessoas envolvidas é muito extenso. Muito obrigada por empoderarem todas estas pessoas, por reconhecerem o nosso trabalho e por criarem precedentes para que o possamos continuar a fazer”, concluiu.
Espaços para a vida
“O papel da arquitetura na criação de espaços para a vida nunca foi tão urgente. Num tempo em que o poder se concentra em poucas mãos, escolhemos destacar quem, através da sua prática, insiste em re-existir, reimaginar e resistir”, referiu o júri composto por Inês Lobo, Lígia Nobre, Samia Henni, Sandi Hilal e Yuma Shinohara que, este ano, sentiu o dever de reconhecer o impacto do contexto histórico, político e social na escolha das práticas premiadas, considerando as questões: “Que posição tomamos? Como irá a história julgar as nossas escolhas?”
Formada em 2020, na Índia, a prática das ReSa Architects valoriza a arquitetura enquanto processo social coletivo — através de projetos construídos e de investigações artísticas que experimentam, refletem, interpretam e debatem as margens do papel da arquitetura na construção da sociedade. Para esta dupla de arquitetas, pensar em ‘situações’ em vez de ‘contextos’ fixos e estáticos abre novas relações entre imagem, texto e corpo. ReSa Architects vencem o galardão que pretende destacar uma prática profissional individual ou coletiva, impulsionando, assim, o crescimento intelectual e profissional de talentos emergentes numa fase crucial do seu percurso.
