Data
30 MAI 2026
Horário
Sábado, das 15:00 às 18:00
Local
Livraria e Centro de Documentação da Trienal, no Palácio Sinel de Cordes: Campo de Santa Clara, 144—145, Lisboa
Preço
Gratuito
Informação adicional
Inscrição obrigatória: queerzinelibrary@proton.me Por favor, indique no assunto do seu e-mail que se está a inscrever no workshop de Lisboa! Máximo 15 participantes. Língua: português e inglês. Materiais incluídos.
De Berlim a Lisboa, há uma rebelião editorial de bolso em curso. A filosofia zine — publicações, folhetos e revistas de pequena tiragem, auto-editadas de forma independente numa lógica ‘faça você mesmo’ — vai invadir o centro de documentação da Trienal de Lisboa.
Ricardo Batista vem até ao polo cultural da Trienal no sábado, 30 de maio, para orientar um workshop de criação de uma zine coletiva em parceria com a Queer Zine Library Berlin. Entre colagens, desenhos e dobragens, a sessão explora a cidade enquanto espaço de cuidado e conflito. Falámos com o zinester e mediador cultural sobre edição independente, dissidência queer e aquilo que pode acontecer quando um arquivo se transforma num lugar de encontro.
- És mediador cultural e zinester, como é que chegas ao universo das Zines?
Fui descobrindo zines através do contacto com artistas e em feiras gráficas. Interessou-me a dimensão informal, acessível e paralela das zines enquanto forma de expressão e circulação de ideias.- O que é que este workshop, que junta a Trienal de Lisboa à Queer Zine Library Berlin, propõe e porquê fazê-lo na Trienal?
O workshop propõe usar a zine como ferramenta para pensar formas de resistência, cuidado, ocupação e reinvenção da cidade. É comum fazerem-se zines a partir de livros e de outras zines, e a Trienal pareceu-me o contexto certo para activar o encontro entre o arquivo da Queer Zine Library Berlin e o Centro de Documentação.- Esta é uma Zine coletiva, que liga comunidade, cidade e pensamento queer. E que cruza Lisboa e Berlim (pelo menos), num lugar de dissidência. Assim às cegas, antes de começar, o que pode acontecer?
Acho que vão surgir muitas sobreposições, mas também contaminações inesperadas entre contextos, linguagens e práticas de dissidência.- Entre a permanência e a efemeridade, onde ficam as Zines?
Acho que brincam com esse espectro: entre a fragilidade de uma folha de papel dobrada e a persistência de uma ideia.

© Ricardo Batista
Ricardo Batista
Zinester e mediador cultural, e tem trabalhado com práticas de edição independente ligadas ao ativismo queer. Desde 2023 integra a Queer Zine Library Berlin, onde desenvolve e programa atividades de ativação da coleção. Das suas zines destacam-se Queer Liberation, not Rainbow Capitalism (Sapata Press, 2023), Vinyl Tears (2024) e The Third Nipple (Hell Books, 2025).
Queer Zine Library Berlin
Biblioteca móvel dedicada à recolha, preservação e circulação de zines queer, enquanto ferramentas de produção e partilha de conhecimento crítico fora de circuitos institucionais. Iniciada em 2019 pelo coletivo do Queer ZineFest Berlin, a coleção reúne atualmente mais de quatrocentas publicações que refletem práticas editoriais dissidentes e transnacionais. Ativada através de workshops, encontros e empréstimos, a biblioteca promove o acesso livre e a disseminação de narrativas e pontos de vista queer. Quando não se encontra em circulação, pode ser consultada no Spinnboden — Arquivo e Biblioteca Lésbica, em Berlim.