MENU
PTEN
Trienal de Arquitectura de Lisboa

Puxa palavra com os Space Transcribers

Data
20 JUN 2026
Horário
Sábado, das 17:00 às 18:30
Local
Palácio Sinel de Cordes: Campo de Santa Clara, 144—145, Lisboa
Preço
Gratuito
Participantes
Lançamento da publicação com a participação de Parto Atelier, ZABRA, RAM, Patrícia da Silva, Lucinda Correia; Moderação: Daniel Duarte Pereira e Fernando P. Ferreira (Space Transcribers)

A 'Forma da Vizinhança', organizada pelos Space Transcribers dentro do programa de Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura, construiu oito instalações arquitetónicas em diferentes espaços públicos da cidade minhota, ativadas por artistas e comunidades locais. Uma publicação homónima percorre o processo de criação destes lugares de encontro em hortas, territórios de transição e bairros periféricos para explorar que formas de vizinhança surgem nos lugares à margem das imagens-postal. 

Falámos com a dupla Daniel Duarte Pereira e Fernando P. Ferreira, dos Space Transcribers, a propósito da apresentação deste livro no polo cultural da Trienal


  • Qual foi a maior aprendizagem do projeto?
A maior aprendizagem foi perceber que a vizinhança não é uma condição dada e que não está apenas vinculada à proximidade física. A vizinhança é antes uma prática que se constrói continuamente através de relações e fricções, sejam elas no espaço doméstico, do bairro ou da cidade, ou nas dimensões digitais. O festival mostrou como a arquitetura pode funcionar menos como um objeto ou disciplina autónoma e mais como uma plataforma de encontro, diálogo e cuidado entre pessoas, saberes e experiências diversas. Nesse sentido, a aprendizagem mais significativa foi compreender o potencial da arquitetura e arte para ativar formas de proximidade e de ação coletiva que frequentemente permanecem invisíveis ou “desligadas” no quotidiano. 

  • Como é que se transpõe algo que é efémero por natureza — um festival — para um formato livro?
Mais do que documentar um evento, o desafio deste livro foi encontrar formas de prolongar as suas questões e conversas. Um livro não consegue reproduzir a experiência vivida de um festival, mas pode funcionar como um espaço de reflexão, auto-crítica e de continuidade. Em vez de fixar o espaço temporal daquilo que foi o festival, interessou-nos preservar os vestígios, as histórias, as cartografias, os encontros, as reflexões e as concepções arquitetónicas e artísticas que emergiram ao longo do processo. O livro torna-se, assim, uma nova instância do festival: não um arquivo fechado, mas uma ferramenta de investigação para futuras leituras, interpretações e diálogos. 

  • Que formas de vizinhança encontram entre arquitetura, arte e cidadania?
Arquitetura, arte e cidadania partilham a capacidade de produzir espaços de relação e de agência. Quando trabalham em proximidade, deixam de atuar apenas sobre objetos ou representações para intervir nas formas como habitamos, percebemos e negociamos o mundo comum. A vizinhança entre estas práticas manifesta-se precisamente na sua dimensão pública: na criação de situações de encontro, na construção de narrativas partilhadas e na possibilidade de imaginar coletivamente outras formas de viver juntos. Mais do que disciplinas distintas, interessam-nos como práticas complementares de atenção ao território, às comunidades e às múltiplas formas de experiência urbana.