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PTEN
Trienal de Arquitectura de Lisboa
Data
15 MAI 2024 - 05 JUN 2024
Horário
18h30
Local
Auditório da Faculdade de Belas Artes e Palácio Sinel de Cordes
Preço
Gratuito
Edição
Equipa
Programado por Jared Hawkey/Sofia Oliveira com programadores convidados: Andrea Pavoni, Justin Jaeckle, Lavínia Pereira e Olivia Bina.
Co-Produção
Organização CADA em parceria com a Trienal de Arquitectura de Lisboa e Faculdade de Belas Artes, Universidade de Lisboa
Estrutura financiada por: República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes

Informação adicional
Registo de bilhetes (grátis):
https://www.eventbrite.pt/o/cada-6048405527

Identidade do ciclo Human Entities 2024 © DR

Human Entities 2024

Ciclo de Conversas

A 8ª edição de Human Entities é um programa de conversas públicas organizado pelo colectivo artístico CADA que abre a 15 de Maio no auditório da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e conta com as três seguintes sessões no Palácio Sinel de Cordes. Foca a mudança tecnológica, os seus impactos, e as formas como a tecnologia e a cultura se influenciam mutuamente.

Tentativas para definir inteligência partem, na sua maioria, da ideia de que se trata de um domínio distintamente humano. Se alargarmos o nosso quadro de referência e considerarmos a resolução de problemas não como um atributo humano, mas um presente em graus variáveis nas diferentes formas de vida e, em potência, nos sistemas artificiais, começamos a reconhecer inteligências em todo o lado.

A ciência estabeleceu recentemente que as plantas possuem cognição. Trata-se de uma alteração profunda, embora continue a ser controversa. Esta descoberta destabiliza a visão ocidental do mundo que separa a natureza (enquanto domínio dos processos biológicos) da cultura (enquanto domínio da actividade e da inteligência humanas) e significa que a dicotomia convencional entre natureza e cultura é errónea. Esta divisão categórica não reconhece as interconexões matizadas entre o habitat não-humano e as sociedades humanas. Na prática, criamos relações mútuas com diversas entidades, cada uma com a sua própria agência - desde seres vivos a objetos tecnológicos. No entanto, muitas das nossas crenças e valores contemporâneos continuam enraizados em tropos dualistas que sustentam o mito da natureza como um dado adquirido, uma realidade fundamental e evidente. 

Este é o esquema que sustenta a ideia de uma natureza singular e unificada sobre a qual se sobrepõem diversas culturas. Contribui para o antropocentrismo, justifica a extração ambiental e obscurece as formas complexas como a sociedade humana e a tecnologia se moldam mutuamente.

Quarta, 15 de Maio 2024, 18h30
A consciência das plantas


Monica Gagliano

Ecologista evolutiva, Professora Investigadora Associada (Adjunta) na Universidade Southern Cross, Austrália.
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Quarta, 22 de Maio 2024, 18h30
Pluralizar as experiências psicadélicas


Giorgio Gristina
Doutorando Antropologia, DANT (ICS-ULisboa), Systems Neuroscience Lab (Champalimaud Centre for the Unknown)
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Quarta, 29 de maio 2024, 18h30
O Design da Inteligência Artificial e a Lógica da Cooperação Social

Matteo Pasquinelli
Professor Associado em Filosofia da Ciência na Universidade Ca’ Foscari, Veneza
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Quarta, 5 de junho 2024, 18h30
Solarpunk significa sonhar verde


Jay Springett
Estrategista e escritor 
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A perspectiva curatorial

Numa altura em que a ciência se debruça sobre a inteligência que abunda em ambientes que nos rodeiam, estamos ao mesmo tempo numa corrida para despejar todo o conhecimento humano nas bases de dados de treino da Inteligência Artificial (IA). Uma IA nas mãos de um oligopólio tecnológico maioritariamente norte americano. Isto não parece correcto. Não apenas no sentido em que estes modelos representam uma maior abstração de nós em relação ao mundo - embora o sejam certamente. Mas também, apesar de todos os benefícios positivos de serviços de valor, as plataformas comerciais de IA exercem um poder crescente sobre as nossas vidas e instituições. No entanto, estamos apenas no início da evolução desta tecnologia, ainda temos tempo para a re-orientar para futuros mais viáveis para a vida no planeta.

Imaginar uma verdadeira ecologia da inteligência natural e artificial, baseada numa interacção mutuamente benéfica, pode parecer um sonho impossível. Mas precisamos sonhar. Embora seja um potencial campo minado, a convergência de disciplinas, nomeadamente ecologia, neurociência e IA, se bem gerida e associada a melhores modelos de organização social, poderá ter um impacto positivo nas formas como a biosfera e a tecnosfera evoluem e se intersectam.

Numa altura em que um milhão de espécies se encontra em vias de extinção e os ecossistemas se aproximam do colapso, seria sensato considerarmos a intrincada rede de interdependências que sustenta a vida - e reflectir sobre o facto de todas as inteligências naturais serem profundamente ecológicas.