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Trienal de Arquitectura de Lisboa

Dupla Chilena/Portuguesa comissaria ciclo de conferências 2020–22

A proposta de Felipe De Ferrari e Diana Menino para o ciclo de conferências foi seleccionada de entre 26 candidaturas provenientes de 11 países. Os membros do júri internacional consideraram que a cativante proposta detinha o potencial para uma reflexão profunda acerca de alguns dos principais e prementes assuntos da arquitectura contemporânea. O Ciclo de Conferências 2020–2022 — que tem o nome «Campo Comum» — junta os ciclos de conferências organizados em conjunto pela Trienal de Arquitectura de Lisboa e o CCB – Garagem Sul (Distância Crítica, desde 2011, e  Conferências da Garagem, desde 2017). Pretende focar-se em temas que são extremamente relevantes para a sociedade, permitir partilha de práticas contemporâneas e antecipar respostas para as principais questões da actualidade, reunindo em Lisboa reflexões a nível global, conferindo especial destaque ao panorama europeu.


A escolha do júri recaiu sobre a dupla de arquitectos Chilena/Portuguesa composta por Felipe De Ferrari e Diana Menino Ferreira. De Ferrari é co-fundador da 0300TV (2007), da OnArchitecture (2012) e da Plan Común (2012), já deu conferências e participou em seminários por todo o mundo, e foi professor na PUC Architecture School, entre 2014 e 2018. Menino trabalhou em vários projectos de arquitectura, fundou um empreendimento independente que pretende recuperar uma pequena empresa têxtil, é co-fundadora da Campo Arquitectura e iniciou recentemente uma colaboração com a Artworks enquanto Coordenadora de Arte para a região de Lisboa.

O programa proposto captou a atenção do júri pela sua pertinência e adequação, sugerindo uma reflexão profunda, que é entendida num âmbito vasto e num compromisso claramente multidisciplinar. Os seus princípios simples, no entanto, fogem às respostas óbvias a este tipo de calls. Nas palavras do júri «a dupla De Ferrari & Menino revela uma preocupação com a cuidadosa gestão dos recursos (...). O seu enfoque na Europa e em oradores europeus não é apenas pragmático mas louvável já que o conhecimento profissional surge muitas vezes a partir de regiões culturais circunscritas e expande-se como consequência de diálogos entre estas».

Esta proposta recusa centrar-se em autores individuais «escolhendo convidar essencialmente colectivos de especialistas, enfatizando as redes de conhecimento que presentemente causam impacto no continente, comunicando ao público uma mudança na direcção das estruturas colectivas e comuns, e beneficiando a massa crítica de cada sessão». Assegurando a presença de um conjunto de vozes de áreas relacionadas, «este programa consegue gerar novo e específico conhecimento, com uma relevante contribuição para a disciplina, a um nível internacional».

Houve mais elogios à sugestão de estender os eventos para lá dos espaços providenciados e da cobertura media planeada, promovendo visitas locais e uma série de micro eventos com estudantes locais, enriquecendo o programa de conferências e constituindo uma abordagem interessante na perspectiva do público lisboeta. Também se considerou particularmente importante o compromisso com a promoção de uma maior igualdade de género entre oradores convidados.

A dupla de comissários seleccionada faz a sinopse do novo ciclo de conferências, de acordo com a sua perspectiva curatorial: «A arquitectura deve ser compreendida como uma atitude estratégica em relação aos espaço e recursos. Campo Comum tem como objectivo discutir a arquitectura no seu mais literal significado: conhecimento colectivo e estratégico que é e poderia ser empregue por todos, em qualquer comunidade, contexto ou cultura, através de um conjunto de mecanismos, dispositivos, estruturas e formas. Para se construir um Campo Comum é necessário avaliar a ideia de senso comum, um conceito crítico no presente contexto de neoliberalismo global e decadência política. Assim, reivindicamos uma atitude crítica e optimista em relação a contextos físicos e culturais, políticas, sumários e clientes, a arquitectura pode apropriar-se da realidade de formas radicais e inesperadas, da investigação à construção — tornando visíveis os seus potencial e contradições, desenvolvendo projectos que permitem ideias emancipatórias, construindo assim um campo comum. Defendemos que um projecto de arquitectura radical não é apenas desejável mas necessário. Tal projecto pode ser concebido através de um processo cumulativo de constante apropriação, imitação, repetição, tradução e recontextualização com um pensamento aberto e generoso — tanto com pragmatismo quando com humor – baseado numa cuidadosa análise da realidade material e condições sociais. Campo Comum irá explorar os tópicos na direcção desta construção colectiva».



O objectivo do Open Call lançado em conjunto pela Trienal de Arquitectura de Lisboa e pelo CCB – Garagem Sul em Maio de 2019 foi reunirem-se propostas para o desenvolvimento de um ciclo de conferências que mantivesse o discurso dos ciclos anteriores e fosse relevante para a agenda cultural internacional, cativando autorias de diferentes contextos geográficos. Pretendia-se que o comissariado definisse o conceito do ciclo de conferências de 3 anos — que irá decorrer entre Março de 2020 e Novembro ou Dezembro de 2022, e tomar lugar no CCB, em Lisboa —, assim determinando o painel de oradores e organizando, apresentando e moderando cada uma das conferências do ciclo. O call terminou no dia 1 de Julho e reuniu candidaturas da Ásia, da América (Norte e Sul) e Europa, que foram tão variadas quanto a sua proveniência.

O júri composto por José Mateus, Manuel Henriques, Madalena Reis, André Tavares e Irina Davidovici sublinhou quão positivo foi ter-se deparado com tantos conceitos diferentes, de tão diversas latitudes, considerando muitas das propostas dignas de serem consideradas para outros programas que a Trienal e o CCB – Garagem Sul possam vir a desenvolver. Numa nota final, devemos destacar o facto de que os organizadores ficaram impressionados pelas qualidade e diversidade das muitas propostas recebidas.